domingo, 1 de fevereiro de 2009

?

Ela havia caído de uma altura consideravelmente alta, estava derrotada no chão com uma das pernas torta e o joelho ralado e a outra perna bem reta. Até agora não entendo como ela ralou o joelho, com o tipo de queda que teve não era pra ter ralado-o. Lá de cima do prédio, no ponto mais alto eu a observava. Ela vestia uma saia adoravelmente curta, daquelas que faço coleção, nos pés um Vans old school uma camiseta jogada no peito e um arco de flores nos cabelos. Eu também iria me jogar, mas diferentemente dela, iria me jogar em uma piscina. Eu iria permanecer na água até o Sol virar Lua e a Lua virar Sol e assim até que alguém me encontrasse. Eu podia sentir o seu cheiro, ela carregava consigo um cheiro de canela, e uma bolsa com sabe-se lá o que dentro. Não nos falávamos não trocávamos confidencias, ela chegava de noite em casa e eu de manhã. Mas o prédio, o elevador, o playground, a piscina se pudessem falar certamente contariam coisas incríveis sobre ela e sobre mim. Nunca fomos amigas, mas éramos as únicas que causavam um barulho de verdade naquela gaiola cheia de futilidade, poses forjadas, sorrisos falsos, status e mentiras. Ela embora não tenha conseguido se salvar, me salvou. Livrou-me daquela farsa em que eu vivia!

Um comentário:

  1. Texto profundo, trágico mas intrigante.
    Por vezes um choque nos acorda do marasmo..nos traz de volta à vida.
    Tragédias diárias deveriam nos mostrar isso.

    Mudei um pouco o texto sobre os irmãos, valeu pelo comentário.
    Vou visitar sempre o seu espaço tá !

    Bjo

    ResponderExcluir